terça-feira, 28 de setembro de 2010

Agenda I

Agendei todas as tarefas para ontem
Larguei os apontamentos numa agenda nova
Que não pretendo abrir
Anotei os nomes que quero esquecer
Um a um
E no instante de anotar
Já havia esquecido todos
Perdi o celular de propósito
Tentarão em vão me encontrar
Não quero obrigar ninguém a se lembrar
Desejo que pareça coisa do acaso, o descaso
Que não é descaso, é renovação
Não é nada
Que tenham falado, feito ou testato
São novos ares, novas viagens de percepção
Cortei alguns retratos, fiz várias montagens
Do que nunca ocorreu
Amontoei tudo na agenda nova
Que não ousarei queimar
Ao menos desta vez não
E olhei calada
Na nova agenda amada
Algumas repetições
Algumas velhas existências
Que não rasgarei
Que não deletarei
Que não esquecerei
Por escolha? Claro que não
Por opção? Tampouco
São marcas d'água nas minhas cédulas vivas
Nos documentos que chegaram até mim por resolução
Da vida, do destino, dos desejos, da emoção
São insistências
Insistências teimosinhas junto a mim
Que me levam até a curiosidade
De mais uma vez vivê-las, degustá-las
Em saudade, poesia e canção
E uma daquelas, verbi gratia
No canto mais empoeirado
Da agenda nova vislumbrei:
VOCÊ...

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