Olhei as mãos novamente
Aquelas mãos que me remetiam a infância
Nos moldes de minha mãe tentando alçar
Minha alma à produção de Luzes da Ribalta
Quedei inerte absorta nas mãos
Soltas no ar com uma desenvoltura guerra
Única, musical, ainda que sem som
Namorei aquelas mãos, a inocência em disfarce
As mãos
Sempre aquelas mãos
Que me dedilham sonhos
Não eróticos como julgará afoito o leitor
Sonhos infantis de carinho e paz
Quedei inerte olhando as mãos digladiando no ar
Sinceras, firmes, a devorar o nada
As mãos cujos contornos decorei folgazã
E em delírios de menina, imaginei nas minhas
Tantas e complexas vezes
Quedei
Mais uma vez quedei inerte
Ante a beleza daquelas mãos
Tão preciosas a mim
Encanto mora mais no movimento ou
Nas mãos propriamente ditas?
Ousarão indagar
E matreira, responderei:
Em ambos
Num uníssono surreal semi melancólico
O silêncio daquelas mãos me inquieta
O som que aquelas mãos provoca me esvazia
Da fome de excentricidade e exagero
E por instantes coloquiais
Sou jogada em mundo próprio,
Desmistificador metafórico
E?
Quedo inerte a fome de beijar as mãos
Amadas, adoradas, necessárias
Perderia toda minha coleção de anéis
Em cada um daqueles nós de dedos ufanizados
Quedei
Quedei sim, inerte
Mais uma vez diante daquelas mãos
No universo quase palpável
de olhá-las
...
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