quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Anexos e nexos

Por anexos ou nexos
Nunca tive a mínima pretensão de ser entendida
No início foram os versos imensos
Rasgados no canto dos cadernos juvenis
Depois as músicas, frisadas de metáforas
Em anexo, nunca um ponto final
Sem nexo, uma série de reticências
Nunca tive a tenra vontade de ser aceita
Primeiro chegaram as mudanças
Chamaram consigo as divergências
Os poemas mudaram muito
As músicas nem tanto
Continuaram na função de desaguar o todo
Nunca tive a velha esperança de ser comum
Que pulverizava a turma daquela década
Em anexo, a mochila esfarrapada
Sem nexo, as fugas pelas estradas
Cabelos de um azul marinho chocante
Pinturas na parede nua do quarto
Vinis emoldurando histórias
O olhar curioso do pai
A paz inalterada da mãe
Anexos, os olhos na paisagem
Sem nexo, a saudade da casa donde tantas vezes fugi
Nunca tive a mínima pretensão de ter nexo
Anexas, as minhas vontades inabaláveis
Sem nexo, a necessidade de explicação
Anexos e nexos
Nunca tive
...

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