quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Lacunas

Do continente, o conteúdo
Dos acontecimentos, a praticidade
Olhar com mais calma
A realidade
E o que é real?
Na fibra momentânea do agora
Agora é lacuna recém forjada
Para mister de alvo único
Cada qual ao modo seu, visceral, causídico
A lacuna da sua ausência
A lacuna dos afazeres corriqueiros
Os espaços vários que recheiam tudo
Da parte, o todo
As lacunas me divertem mais que
O ziguezague torpe do acaso
As lacunas brilham esperando
Que eu possa dar um rumo a elas
Um rumo não, um fim
As lacunas da saudade
As lacunas das mentiras
As lacunas das decepções
As lacunas do medo
Mas as lacunas não se avizinham
Somente em dor e malfadados caminhos
Podem ter espaço, as benéficas também
Que dramatizam planos, arredondando sorrir
Lacunas de amor
Lacunas de gozo
Lacunas de esperança
Lacunas de paz
Do fim, o meio
Para alinhar o exato instante que o espaço se delimita
A lacuna de cada pensamento ajaezado no sentir
Trabalho árduo do cotidiano por excelência
O preenchimento das lacunas
Como num interim de renovar sentidos
Lacunas várias
Lacunas necessárias
Lacunas
...

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