quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Oposição Equivalente I

Curioso como o digladiar de antíteses
é fácil e notadamente aceitável
Complicado se faz a questão
quando o versus é fundamentado
entre iguais sentimentos
pois na ingerência de opostos
tudo se veste de uma obviedade natural
Incerteza versus certeza
Bem versus mal
Razão versus devaneio
Amor versus ódio
Nestes casos
o desfecho é tranquilo e
deliberadamente sequencial
Fácil entender a oposição de opostos
se me permitem a redundância
Porém, na observância
da Oposição de Equivalentes
onde só há "mocinhos", finitos os vilões
a ferida latente se aloja
avizinha
massera
coagula
exigindo um final coerente porém complexo
Surgem assim, verdades com poder de polir
as arestas nossas de cada dia
Oposições de equivalentes
são, acredito, o último episódio
de uma minissérie de amor
Aquele momento de catarse
em que o expectador devora a tela
sequioso para entender ou ao menos
vislumbrar o desfecho da obra
Momento de Oposição de Equivalentes
Um instante para o qual não há fuga
Há que enfrentá-lo e destrinchá-lo
em suas mais tênues veredas
e com cautela, posto não existir
retorno ou posterior edição de cenas
A chegada do choque dos iguais
que nos coloca a todos na condição
de diretores dos filmes de nossas vidas
A hora de ser meu próprio Kurosawa
editar, cortar, maximizar minhas cenas
que delinearão a apresentação final
a versão que não admite finais alternativos
tampouco interação de público votante
minha versão exclusiva e poética do porvir
Intimamente ligada à decisão
da Oposição de Equivalentes
capítulo em que me encontro agora ...

[continua]

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