segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A retina da alma e a caixa de pessoas

A moça era independente
destas que cedo aprendem
a estar no controle da própria vida
apertando botões de canais e volumes
por conta e risco
mais riscos que contas, pois as moças
assim trajadas de vida, gostam de desafios...

Pois bem,
era moça comum
braços, pernas, poses e sonhos
destas que não querem pedaços de nada
desejam o todo com certa consideração afiada
na meticulosa análise de vésperas ...

Guardava na caixa de presenças antigas
a coleção de paixões e romances vividos
conhecia de don juans a chaplins
todos um a um, jaziam na caixa, nomes e impressões atemporais
marcas lavradas em circunspectos motivos
metonímia coesa e divertida...

A moça abria a caixa vez ou outra
gostava de namorar as existências que se fizeram poemas
comédias, dramas, ficções, tragédias, épicos e afins
enfim, era a história dela, ora fada, ora bruxa,
ora outra, mas sempre ela...

A moça e a caixa de pessoas
absorta olhava a janela, não havia amor na caixa
e ela sabia, tinha a tal ciência daquele fato
outrora cismado diversas vezes, agora reconhecido
sem pompa ou dor, notório conhecimento e só...

As retinas da alma da moça
abertas fitando a caixa,
recipiente coalhado de tudo que sabia sobre sentir
a caixa e a retina flertavam harmoniosamente
em curiosidade e fleuma...

As retinas da alma da moça
devorando várias vezes a caixa de presenças
sagazes as tais retinas da alma
enxergando além da somatória das refrações da luz
sincera a caixa de pessoas, mostrando o que
não fazer de novo, mapa do tesouro das interações...

As retinas da alma da moça
procurando, esmiuçando o que destarte não havia ali
tudo existia, tudo para receitas e ensinamentos quaisquer
mas as retinas ainda procuravam, raio x de sonho
o cerne do sentimento maior ufanizado
amor...

A moça sorriu
guardou a caixa com ares de deixa estar
deixa estar o tempo
deixa estar o mundo
deixa estar a vida
deixa estar até a caixa

As retinas da alma da moça
agora
muito longe
longe mesmo
do mundo cúbico de lembrança
mais perto
bem perto agora
do universo prísmico da certeza.

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